sábado, outubro 21, 2006

Quando for grande quero não ser português

Leio coisas como este artigo sobre uma apresentação numa conferência de matemática em espanha e apercebo-me como em portugal é completamente impossivel fazer algo minimamente semelhante. A demoscene não é reconhecida como tópico sério em Portugal. Pura e simplesmente porque ninguém aparece em jornais por apoiar a demoscene. Não há conhecimento logo não pode haver reconhecimento. Não tem valor socio-politico, são putos que se divertem a fazer coisas nos computadores. Nunca será algo a ter qualquer tipo de apoio socio-financeiro sem ser por exploração de interesses privados. O que leva ao obvio:
Ponto 1) ninguém no circuito académico em Portugal aceitaria um tópico de apresentação focado em arte digital numa conferência de renome a menos que fosse para preencher buracos ou dizer que foram eles a trazer cá este tipo de coisas.
Ponto 2) mesmo alguém aceitando a sua inclusão nos eventos, nunca haveria apoio social e logistico para trazer cá as pessoas sem serem elas a pagar do seu próprio bolso.

É este o motivo que me leva a odiar o nosso país. Um país construido numa base de interesses pessoais que nunca apoiará algo de interesse social. Até acredito que lá fora as dificuldades sejam semelhantes em muitos graus, que não seja um problema intrinseco à cultura portuguesa. Mas continuo a desejar um país onde as pessoas apoiassem as coisas por dever social, não por interesse pessoal. Sou utópico.

3 Comentários:

Blogger xernobyl disse...

Não concordo com isso. Lá por não haver gente interessada não quer dizer que não haja aceitação.
A Demoscene não tem grande reconhecimento em Portugal porque nunca teve força! Nunca houve grupos (mais que um) a produzir constantemente de maneira a que a cena se tornasse suficientemente visível! De vez em quando houve sempre gajos em Portugal a produzir, mas nunca de maneira constante, e nunca de maneira a que houvesse alguma competição.
“ninguém no circuito académico em Portugal aceitaria um tópico de apresentação focado em arte digital numa conferência de renome”: Se houvesse alguém com alguma coisa a apresentar com qualidade dentro do tema da conferência tenho a certeza que aceitavam, não iam rejeitar um trabalho com qualidade só por ter como caso de estudo a Demoscene.
“mesmo alguém aceitando a sua inclusão nos eventos, nunca haveria apoio social e logístico para trazer cá as pessoas sem serem elas a pagar do seu próprio bolso”: Se convidam pessoal de outras áreas e se lhes pagam não é por ser scener que não lhe iam pagar a viagem.
Um exemplo: No IST há um professor que é Trekie. O gajo é tão Trekie que apareceu em jornais a dizer que é Trekie. De certeza que se o gajo for bom no que faz não o vão rejeitar numa conferência de renome, porque toda a gente sabe que o Star Wars é melhor que o Star Trek.
Acho que o problema resume-se apenas a não haver Sceners. Se tivéssemos todos os anos 10 produções nacionais decentes tenho a certeza que a Demoscene tinha muito mais exposição publica.

Já agora: o autor do outro texto podia ter passado aquilo por um corrector ortográfico.

22/10/06 17:42  
Anonymous Anónimo disse...

niggaz...
eu acho que se aplica aqui a mesma cena com a musica
conheci e conheço gajos que fazem musica podre de xunga (ou pimba ou comercial mesmo esférica) para poderem angariar fundos e fazerem o sonoro que realmente gostam mas sobreviverem !
aqui em portugal só tou a ver uma solução: ira para o gamedev e assim estar envolvido no (mais proximado) ramo artístico... right on

EviL

msg to xernobyl: meu desde quando star wars é melhor que star trek ? lol
não percebes nada de pesca desportiva...

23/10/06 22:06  
Anonymous Anónimo disse...

Infelizmente vou ter de concordar com o PS, mais com a lado da música, visto que é lá que me movimento, o Evil também tem razão, eu conheço mesmo muita gente que se faz os tais trabalhos de "prostituição" para poder subsidiar as suas próprias criações, e quase sempre o que acontece é alguém lá fora ouvir, gostar e apoiar. Não são raros os casos, que editam lá fora e depois chega a Portugal como material importado e ai sim, já é bom.
Mas também acho que nos cabe a nos mudarmos isto e continuarmos a fazer o que acreditamos e gostamos, pode ser que com o nosso e o trabalho dos próximos a coisa mude.

11/11/06 11:23  

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